O maior desafio dos dados de sustentabilidade não é a recolha, é a criação. E a razão pela qual tantas empresas se debatem com a elaboração de relatórios é o facto de nunca terem parado para perguntar: de onde vêm realmente estes dados? Quem é responsável por os gerar?
O estrangulamento da responsabilidade: Um sistema construído para falhar
Na maioria das empresas, a gestão de dados de sustentabilidade é tratada como uma tarefa centralizada, algo atribuído a uma equipa ESG, a um responsável pela conformidade ou a um líder de sustentabilidade corporativa. Espera-se que estes indivíduos recolham dados dos fornecedores, verifiquem a sua exatidão e assegurem a conformidade com regulamentos como o CSRD, CSDDD e o Protocolo GHG.
Mas este modelo não tem escala porque:
- Os dados não existem até serem medidos: Muitos fornecedores simplesmente não rastreiam as métricas de sustentabilidade que os compradores precisam. Se os dados não estão a ser gerados na fonte, não há nada de significativo para recolher.
- Uma pessoa não pode fazer tudo: As equipas de sustentabilidade são frequentemente pequenas e as cadeias de fornecimento são vastas. Se todo o peso dos relatórios ESG recair sobre um único departamento, os estrangulamentos são inevitáveis.
- Dados dispersos e incompletos levam a más decisões: Sem um sistema estruturado que envolva os fornecedores na criação de dados, as organizações acabam por se basear em estimativas, números auto-relatados ou suposições de terceiros, nenhum dos quais proporciona uma verdadeira transparência.
A solução: Transformar a recolha de dados numa responsabilidade comum mas diferenciada
As empresas que levam a sustentabilidade a sério têm de ir além dos modelos tradicionais de relatórios e começar a tratar a criação de dados como um esforço coletivo. Isto significa:
- Capacitar os fornecedores: Em vez de se limitarem a solicitar dados, as empresas devem permitir que os fornecedores gerem e estruturem dados de sustentabilidade na fonte.
- Automatizar os fluxos de trabalho de dados: Em vez de dependerem de e-mails, folhas de cálculo e processos manuais, as empresas devem utilizar plataformas que automatizem a criação e recolha de dados sobre sustentabilidade.
- Responsabilidade distribuída + ação colectiva: Os relatórios ESG devem ser um esforço de toda a cadeia de fornecimento e não apenas uma função interna da empresa. Quando os fornecedores dispõem de ferramentas para acompanhar e partilhar o seu desempenho em termos de sustentabilidade, a conformidade torna-se fácil.
Uma mudança de mentalidade que muda tudo
Muitas organizações estão a ter dificuldades com os relatórios ESG, não porque não disponham das ferramentas de recolha corretas, mas porque nunca pensaram na criação de dados como uma responsabilidade partilhada.
As empresas que reconhecerem este ponto cego agora serão as que construirão cadeias de abastecimento transparentes, eficientes e resistentes no futuro. As que não o fizerem continuarão a perseguir os dados em falta, sem nunca se aperceberem de que o verdadeiro problema nunca foi a recolha, mas sim a criação.
Autor: Sami Tornikoski
Diretor de Sustentabilidade, ImpactOS
Não sabe por onde começar? Nós guiamo-lo.
Compreender o verdadeiro desafio dos dados de sustentabilidade é o primeiro passo.
Entre em contacto connosco e vamos explorar o caminho certo para a sua empresa.